O preço da ineficiência publicitária
Marcas têm agora que lidar com pessoas que usam mídia à sua própria maneira, tempo e recursos. É a volatilidade do uso das mídias, já que as pessoas passam a usá-las de maneira mais espontânea. E existe ainda o fator da permissão, já que cada vez mais pessoas têm bloqueado conteúdo que não é desejado. Agora eu pergunto: qual a possibilidade da publicidade tradicional sobreviver neste contexto?
A complexidade da mídia contemporânea, considerando inclusive que pessoas são veículos, quebrou a receita fácil de chamar a atenção dos consumidores. Obviamente houve uma retração substancial do ROI da publicidade tradicional baseada no modelo emissor-receptor. Entre 1990 e 2010, houve queda de 1/3 da efetividade da publicidade em TV nos EUA. Portanto, se do ponto de vista econômico também não faz sentido enviar uma mensagem para uma multidão acreditando que vamos ganhar míseros pontos de awareness, a história toda ainda faz menos sentido.
Os altos investimentos em publicidade tradicional passam a ser, assim, o preço que se paga por não conseguir realizar de maneira eficaz a tarefa de construir valor interativo para as pessoas. O preço da ineficiência na publicidade contemporânea está embutido nos gordos orçamentos publicitários, que por sua vez alimentam uma indústria que precisa urgentemente reinventar-se.


