Os fenômenos digitais de hoje irão moldar as tendências de amanhã Edmar Bulla

O que faço: site móvel ou aplicativo?

14/12/2011 edmarbulla - Marketing, Mobilidade, Tecnologia

Esta semana publicamos um artigo falando sobre como as marcas têm investido em aplicativos móveis. Sem dúvida, este é um terreno fértil e muito inexplorado. Todas as imagens que ilustram esse post são sites para navegadores mobile, por mais que se pareçam com aplicativos.

Todo mundo sabe o que é um website, mas poucos sabem ainda como ele é construído. Falando de especificações técnicas, todo website segue um padrão. Por exemplo, 1024p de tamanho horizontal para rodar em três sistemas operacionais (Linux, iOS e Windows) e em até quatro browsers. Relativamente simples, não é? Então vamos transpor isso tudo para a internet móvel? Definitivamente, não estamos falando de uma operação copy & paste, porque a coisa funciona de outra maneira, a começar pela infinidade de modelos, marcas e telas.

Num mercado saturado de websites, mas ainda virgem para a internet móvel, falar sobre tamanhos de telas, sistemas operacionais e browsers é tocar em pontos básicos e, para muitos, deveras inconvenientes.

Então responda rápido: quantos tamanhos de telas você conhece? Existem centenas, talvez milhares! Quantos browsers para mobile existem? Dezenas e com suas peculiaridades e outras dezenas de sistemas operacionais. Portanto, chegamos à conclusão de que se atrever a criar um site móvel requer muito conhecimento técnico. Isso explica, seguramente, o fato de que muitas agências preferem recomendar o desenvolvimento de um aplicativo, em plataformas específicas, o que fica muito mais fácil para uma agência que não domina esta tecnologia, concorda? E talvez mais lucrativo – porém mais dispendioso para as marcas – porque é necessário desenvolver uma aplicação para cada plataforma. No final das contas, como saldo geral, acaba sendo tudo mais complicado como experiência de marca, porque o aplicativo deverá ser obrigatoriamente localizado dentro de uma loja, como o iTunes. Você será mais um em uma enorme gôndola digital e móvel. Então talvez a melhor experiência seja um site móvel?

Bem, um site móvel decente deve ser construído com um código adequado a todos os aparelhos celulares do mercado, independentemente do sistema operacional, fabricante, browser ou tamanho de tela. Esta é a grande diferença entre fazer um site móvel que rode em todas as plataformas e é acessado quando digitado o endereço www.suamarca.com.br, sem ter que direcionar as pessoas para um novo lugar onde o conteúdo possa ser baixado ou uma nova URL para decorar. Não estou criticando as agências que criam aplicativos bonitinhos para fins específicos de interação entre usuário e marca. Se provado, este engajamento é necessário e o investimento é válido. No entanto, disponibilizar uma interface de conteúdo em múltiplas plataformas é a maneira mais democrática e fácil para estabelecer um relacionamento com as pessoas através de dispositivos móveis.

Enquanto tendência, ao que tudo indica, o mundo vai se render à novidade do momento, o tal HTML5, que permite uma adaptação sem muitas surpresas para a maioria de smartphones e tablets. Além desta facilidade de adaptação, o HTML5 permite ainda muitas transições e efeitos bacanas, além de uma simplicidade maior do que a programação em flash. Mais vantagens: o HTML5 utiliza tecnologia livre e é mais acessível (a deficientes visuais, por exemplo) que outras plataformas do gênero.

Na minha opinião e também do meu amigo Fabiano Lobo, com quem troquei ideias sobre este post, a web móvel vai explodir de 2012 em diante, por três motivos básicos: maior quantidade de empresas desenvolverão seus sites móveis – o que será um desejo natural ou ao sabor da maré -, os planos pré-pagos de dados vão substituir cada vez mais as LAN houses e, por fim, o desejo da classe C de adquirir e utilizar smartphones e tablets nos próximos 12 meses. Nesta última semana, dois grandes veículos (Folha e Veja) deram destaque a este empolgante desejo do que chamam de classe C. Claro que, entre desejo e realidade, só nos resta saber se as operadoras darão conta do recado.

E o que será que existe de bom e ruim de sites móveis por aí? Em uma conversa informal com o time de mobile ads do Google, eles afirmaram que aproximadamente 85% das grandes empresas brasileiras não têm seu site móvel. Portanto, fica difícil apontar alguns sites legais, só por esta pequena razão. No entanto, acredito que Terra e Uol, por exemplo, estão fazendo bem bonito o seu dever de casa, apresentando três opções de navegação para seus usuários: web, aparelhos celulares e versão para tablets. Um caso curioso é a Apple, uma das grandes responsáveis por esta discussão, que não tem um site móvel. Faça o teste: vá agora até seu browser e digite www.apple.com. Você verá que o site é o mesmo da versão web. Claro, você vai me dizer que o foco deles é outro: apps que eles podem controlar. Bingo! No entanto, a despeito de qualquer possível deslize da marca (o que eu duvido muito), acredito que o hit do momento são mesmo os web apps, aplicativos em HTML5 (ou outras linguagens), que rodam nos browsers dos nossos smartphones.

Quer mais exemplos? Experiências em sites móveis que utilizo e gosto: Amazon, Kayak e UCI Cinemas (neste último merece destaque o crescimento de 500%, todos os meses, desde o seu lançamento).

E, para não passar em branco, experiências que não gosto: oglobo.com.br (porque sempre tem alguma coisa que “dá pau” e sempre tem um banner que leva para um site que não é mobile) e lance.com.br (esse é campeão em dar problema, mas o app para iPhone é bom. Meu amigo Fabiano jura que utilizou bastante durante o Campeonato Brasileiro e funcionou, mas infelizmente, pra variar, tem um monte de banners levando para sites que não são mobile).

Sites móveis e aplicativos podem ser absolutamente complementares e são experiências distintas para o usuário. Por isso, não faz nenhum sentido substituir um pelo outro. O que importa é a relevância para as pessoas e a experiência positiva delas com a marca. O que não pode, em hipótese alguma, é criar monstrinhos pernetas que funcionam aqui e caem acolá. Na dúvida, converse com um profissional e troque ideias. E fuja de agências, produtoras e desenvolvedores que andam por aí com adesivos do tipo “Faça um aplicativo móvel agora! Pergunte-me como!”. Acredite: na maioria das vezes, eles só querem mesmo o seu rico dinheirinho!

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